Brasil está longe da crise?

Publicado: 14 de novembro de 2008 em Opinião

Basta abrir as páginas de jornais em todo o mundo para perceber que a crise dos bancos dos Estados Unidos é das mais graves na história da economia mundial. Analistas econômicos indicam que a situação é pior do que o período do crash dos anos 20 na Terra do Tio Sam.
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O setor automotivo é uma das áreas da economia em xeque. O governo americano, por sua vez, já iniciou o movimento de ajuda financeira para diminuir o “tamanho do buraco” que apareceu na economia e, diga-se de passagem, no balanço das montadoras de veículos.
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A indústria automobilística do maior mercado do mundo – General Motors, Ford e Chrysler, as três maiores montadoras do país – pede ajuda e o auxílio financeiro deve ser imediato. A maior fabricante de veículos do mundo, a GM, já estava no vermelho e, agora, precisa de dinheiro estatal para não entrar em falência. E ela não é a única.
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Segundo levantamentos da empresa, houve uma queda de 45% na venda de veículos, em outubro. O balanço do terceiro trimestre da General Motors Corporation, indicam as agências noticiosas, fechou com US$ 16,2 bilhões. O montante paga apenas os custos básicos (salários, fornecedores e pensão) até o fim do ano.
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Só para se ter uma idéia do baque, a possível falência da montadora americana iria repercutir negativamente em toda a cadeia automotiva. Além dos funcionários e empregos agregados – cerca de 500 mil postos de trabalho nos Estados Unidos -, a Ford e a Chrysler sofreriam também, já que os fornecedores de autopeças são os mesmos e perderiam o seu maior cliente. Em conseqüência, teriam que encolher para se readaptar à nova situação de mercado.
Lá, a venda de veículos, principalmente o de picapes como a Ford F250, foi reduzida como, também, a produção de carros com motores V8.
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No Brasil, o cenário, como comentou um funcionário do alto escalão da GM do Brasil, é completamente diferente em relação ao momento atual dos Estados Unidos. O governo de São Paulo liberou um pacote de R$ 4 bilhões. Na semana passada, o Banco do Brasil já tinha liberado R$ 4 bilhões. A ajuda financeira vai servir para aumentar a linha de crédito ao consumidor e garantir, de certa forma, a compra financiada de veículos. Aqui, o brasileiro ainda tem crédito, mesmo com as novas restrições das financeiras e bancos, e há confiança na economia.
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Independentemente da crise, o setor automotivo brasileiro deve fechar mais um ano em recorde de produção e de vendas. O desempenho, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) junto ao Denatran, é que houve uma retração de 13,81% de vendas, em outubro. Foram comercializados 398.507 veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários e outros) em outubro deste ano, contra 462.356 no mês anterior.
No acumulado de janeiro a outubro de 2008 com o mesmo período do ano passado, no entanto, as vendas apresentaram aumento de 22,17%, passando de 3.430.599 unidades comercializadas para 4.191.072.

Em nota à imprensa, Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, diz que o barulho da explosão foi muito maior do que a própria explosão. “Os consumidores continuam visitando as lojas. Eles só não estão encontrando crédito. Os bancos não estão aprovando cadastros como antes. Mas tanto o Ministério da Fazenda como o Banco Central estão sendo ativos e não medirão esforços para que a economia volte a crescer”, comentou o presidente da entidade.
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No Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, o discurso foi dos mais otimistas. Com os estandes repletos de lançamentos, a maioria dos diretores comerciais e presidentes de montadoras sorria ao ser questionado sobre a crise no mercado nacional. Longe do pessimismo, eles garantem que o mercado de veículos vai crescer ainda em 2009, mas bem abaixo dos 22% deste ano. No mínimo, 5%. No máximo, 10%, o que já é um crescimento bem significativo. Resta, então, aguardar…

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