Gurgel: o sonho do carro nacional

Publicado: 26 de fevereiro de 2009 em Carros

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A indústria automotiva perdeu, no dia 30 de janeiro, o visionário João Amaral Gurgel. Mas, o sonho do carro genuinamente brasileiro do empresário ainda roda em todo o Brasil. Em Salvador, é fácil se deparar com veículos da marca Gurgel, principalmente o jipinho X-12 e os compactos BR-800 e Supermini. Da década de 60 até o início dos anos 90 do século passado, foram 19 modelos Gurgel, todos com mecânica simples e carroceria de fibra de vidro.

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A ideia do visionário Amaral Gurgel era desenvolver e produzir veículos no Brasil para brasileiros. Durante duas décadas, saíram das pranchetas para o asfalto modelos 100% nacionais. O engenheiro usou os seus conhecimentos para desenhar os veículos, boa parte deles com visual de linhas inusitadas e quadradas. Para alguns modelos, a mecânica era emprestada do Fusca, Brasília e Kombi (motor VW 1600, câmbio de quatro marchas e suspensão).
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Pioneirismo – Inaugurada em 1969, a fábrica de Rio Claro, no interior paulista, era o pontapé inicial para pôr o sonho do carro nacional nas avenidas e estradas de todo o Brasil. O primeiro modelo foi o Ipanema, com chassi, motor, caixa de câmbio e suspensão VW.
Nos anos 70, chegaram ao mercado veículos como o Xavante e o X-15. A ousadia era tamanha que João Amaral Gurgel projetou e lançou o Itaipu, o primeiro veículo elétrico brasileiro e da América Latina. De dois lugares, o Itaipu tinha dimensões compactas – 2,65 metros de comprimento por 1,40 m de largura – e era alimentado por três baterias na frente, duas atrás dos bancos e mais cinco na traseira. Rodava a 50 km/h e tinha uma autonomia de seis horas.
Mas a vontade era produzir um carro brasileiro – da carroceria aos componentes mecânicos. O trem-de-força Enertron era a redenção da Gurgel, que tinha dívidas com bancos credores. Nas versões de 600 cm3 e 800 cm3, o motor foi usado no BR-800 e no Supermini e serviria para acabar com a dependência das peças VW. O sucesso dos dois compactos foi estancado no período da abertura das importações no governo Collor e pela redução do IPI para carros com motor 1.0.
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Fotos: Roberto Nunes

Em 1993, o empresário entrou com o pedido de concordata e, em 1994, fechou definitivamente as portas da fábrica da Gurgel.

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comentários
  1. Dalmo N.C. disse:

    Olá, Roberto!
    Sou de Maceió!
    E sou fissurado no Supermini.
    Adorei essa matéria, e ainda vou adquirir um Supermini por aqui em Maceió.
    Logo que eu concretizar esse desejo compartilharei fotos contigo, OK!?
    Abraços… Parabéns pelo site e Sucesso!!!

  2. Evaldo Cruz disse:

    É lamentavel qua a Gurgel não teve vida longa, nos tempos atuais faria com certeza muito sucesso, todos proprietários só dão elogios ao veículo. É importante pessoa como você que mantem esse site fazendo permanecer acesa essa cimente divulgando a larga visão deste nobre EMPREENDEDOR, proporcionando a outras gerações a chance de conhecer a história de grandes homens como é o caso do engenheiro JOÃO AMARAL GURGEL.

  3. Evandro disse:

    ola turma sou de salvador sou ligadaõ em gurgel sonho com o gurgel tocantis espero que consiga encontrar um do jeito que procuro quando encontrar vamos trocar fotos o trabalho de vcs e muito bom valeu

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