Carlos Sainz, El Matador do Dakar

Publicado: 19 de janeiro de 2010 em Automobilismo
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O piloto Carlos Sainz, vencedor do Rally Dakar 2010, fala nesta entrevista à equipe da VW quais foram as dificuldades e a estratégia usada por ele e seu navegador Lucas Cruz na segunda conquista da competição mais importante do calendário de ralis do mundo.

A seguir, uma entrevista com o campeão do Dakar 2010, apelidado no meio de “El Matador”, numa referência aos toureiros de seu país natal.

Qual foi a vitória mais importante de sua carreira no automobilismo?
Carlos Sainz: “Não é muito fácil responder. Eu ganhei dois campeonatos mundiais de rali e, agora, o Dakar. Em tese, os dois são similares mas, ao mesmo tempo, completamente diferentes. Ambos são difíceis de vencer. Uma coisa é certa: o Rally Dakar é uma grande competição, de enorme importância no mundo esportivo. Tê-la vencido me deixa extremamente orgulhoso, principalmente por ter ganhado à minha maneira, da forma como eu entendo este esporte.”

Quanta experiência é necessária para vencer o Dakar?
“Antes de tudo, você tem que ter um carro capaz de vencer. Foi o que eu tive este ano, com o Race Touareg, assim como no ano passado. Infelizmente, em 2009 alguns fatos acabaram impedindo nossa vitória. Este ano, fizemos nosso trabalho. Quando eu comecei a participar de rali cross country, em 2005, tive que aprender a guiar rápido sem cometer erros na areia do deserto. O fato de não ter atolado na areia em 2009 nem em 2010 durante o Dakar mostra que eu domino essa técnica. Nisso, a experiência conta bastante.”
Quanta paciência é preciso ter para vencer no Dakar?
“Quando mudei para este tipo de competição, tive que me esforçar para manter a paciência. Essa é uma das grandes diferenças entre o cross country e os ralis de velocidade. Você tem que ser paciente o rali inteiro, durante os trechos especiais, até mesmo no acampamento. No Dakar, especialmente, não é possível contar apenas com a sorte – o esporte é complexo demais para isso. Isso é uma coisa que a cada ano eu entendo melhor.”

Parece que este ano você adotou a tática de não procurar vencer todos os trechos. Isso fez com que não largasse tão bem no dia seguinte, o que pode ser até uma desvantagem. Foi uma atitude puramente racional?
“É possível que eu tenha dado a impressão de não estar tão focado em vencer a cada dia da prova. Mas, para ser honesto, nunca deixei de dar tudo de mim, a não ser naquele momento de azar, em que o pneu furou e tive que enfrentar a poeira. Na segunda semana, a impressão era correta: já na liderança, passamos a prestar mais atenção em cuidar do equipamento, apesar de meu companheiro de equipe, Nasser Al-Attyiah, chegar mais e mais perto, assumindo riscos maiores. De qualquer forma, o diretor da Volkswagen Motorsport, Kris Nissen, nos orientou taticamente, o tempo todo.”
Até agora, você e seu novo navegador, Lucas Cruz, têm sido imbatíveis. Qual é o segredo?
“As coisas funcionaram desde o princípio de nossa parceria e vencemos os ralis do Brasil (Rallye dos Sertões) e do Oriente. Temos um relacionamento muito bom e Lucas faz um trabalho excelente. Do ponto de vista estratégico, cada uma de nossas vitórias foi muito bem construída. Eu acho que, levando em conta esses resultados, fizemos nosso trabalho muito bem.”
Como você descreve seu relacionamento com Lucas Cruz, dentro e fora do carro?
“Antes de tudo, Lucas é um navegador e copiloto de primeira classe. Além disso, ele é um cara tranquilo, que está sempre descontraído. Ele me complementa perfeitamente. É altamente profissional e leva seu trabalho muito a sério.”

O Dakar também é uma competição entre equipes. O quanto você considera importante ter um bom time à sua retaguarda?
“Há pouco eu disse que, a menos que você tenha um carro capaz de vencer, é impossível ganhar no Dakar. Para mim, isso também inclui a equipe que prepara o carro. Precisa ser um time realmente vencedor. Ser parte de uma equipe fabulosa, como a Volkswagen, me deixa orgulhoso. A equipe tem evoluído constantemente desde que eu fui contratado, cinco anos atrás. Cada pessoa do time sabe exatamente o que tem que fazer e todos são extremamente profissionais no que fazem. Mesmo nos ralis menos importantes, todos estão concentrados em vencer. O resultado é este “um-dois-três” no Dakar, para o qual a equipe tanto trabalhou e que mereceu alcançar.”

Como você se mantém motivado como piloto?
“Eu sempre digo a mim mesmo: Você tem que vencer pelos seus companheiros. Vencer é a melhor motivação. A equipe é completamente voltada e dedicada para vencer e você só consegue recompensar essa incrível performance dando o máximo de si o tempo todo. É fantástico poder retribuir desta forma a dedicação dos meus mecânicos, meu engenheiro, Gerard Zyzik, e a equipe de coordenação que trabalha com o diretor da Volkswagen Motorsport, Kris Nissen e o chefe da equipe, Peter Utoft, com uma vitória no Dakar.”
Vencer o Dakar era seu grande sonho. Você já conquistou tudo o que queria no automobilismo?
“Na vida, você precisa ter sempre objetivos pelos quais valha a pena viver, que você tenha que batalhar para alcançar. Se você atinge um desses objetivos, realiza um sonho, o primeiro sentimento é de alívio. Mas, em seguida, você estabelece novas etapas para cumprir.”

E quais são os seus objetivos para o futuro?
“Com o Dakar recém terminado, ainda não pensei muito sobre isto. Mas com certeza eu vou estar me reunindo logo com o Kris Nissen.

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