Arquivo da categoria ‘Opinião’

Imagem

Nem dá para negar que a Stock Car é um acontecimento na Bahia. Ao chegar em Salvador em 2009, a categoria mais importante do automobilismo brasileiro bateu recorde de público e preencheu uma lacuna na vida do baiano. Mas, todos aqui se perguntam: e o tão desejado autódromo? É complicado obter uma resposta. Há quem use a possibilidade de um empreendimento para competições de automobilismo – Stock Car, Fórmula Truck (caminhões) e brasileiro de marcas, por exemplo – apenas como “plataforma” para se agarrar “nas benesses do poder”.

Neste domingo, as arquibancadas do Centro Administrativo da Bahia, local da prova da Stock Car, estiveram praticamente lotadas, com cerca de 50 mil expectadores para assistir a vitória do piloto Ricardo Maurício na etapa baiana da temporada 2013.

E nos camarotes oficiais nenhum dirigente ou mesmo um representante do governo garantiu que a Bahia terá, de fato, um autódromo dentro das normas de segurança da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) ou da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).

Um evento como a Stock Car gera investimentos altos e retorno garantido para o governo e organizadores. A prova baiana tem previsão de gerar cerca de R$ 20 milhões. Isso incluem os acordos financeiros entre governo e organização, além de ganhos financeiros dos segmentos (comércio e rede hoteleira) envolvidos.

De maneira mambembe ou no improviso, o CAB se transforma em um autódromo. Esta é a quinta prova da Stock Car em solo baiano e quase acaba mais uma vez com o pace car (carro-madrinha) na pista, igualzinho a outras duas corridas realizadas aqui. Na prática, não divide emoção com o público, que lota as arquibancadas e não quer “pagar” para assistir provas mornas, sem ultrapassagens e brigas sadias entre os pilotos.

Sem empenho

O governador Jaques Wagner usou o palanque da edição 2013 para adiantar que já existe um protocolo de intenções assinado para a prorrogação do contrato para a realização da corrida até 2018. “Desde a primeira corrida, a intenção era fazer um grande evento esportivo, atraindo turistas e movimentando a economia. O sucesso dessa prova é o que motiva a prorrogação do contrato”, disse Wagner, em entrevista ao Jornal A TARDE.

Estudos feitos pela Universidade Federal da Bahia, em parceria com outras organizações locais, apontam que são necessários cerca de R$ 40 milhões para a construção de uma “praça esportiva” dedicada ao automobilismo no Estado. Aqui, o autódromo serviria para garantir uma programação mais dinâmica de corridas e provas. Com isso, os pilotos atuais e jovens com talento para o esporte a motor poderiam praticar uma das modalidades do automobilismo, criando uma cultura mais forte de corridas e, em alguns casos, saindo dos “rachas” e “pegas” nas ruas e avenidas de Salvador.

Empresários locais e dirigentes da Federação de Automobilismo da Bahia já se mostraram empenhados na luta em prol de um autódromo. Os supostos terrenos em Camaçari já foram visitados e quase vistoriados, como muitos gostam de sair por aí “arrotando” suas ações em favor das causas do automobilismo na Bahia.

O que se percebe é que é “tudo cena” para ganhar um falso status no cenário do automobilismo baiano. Meses antes ou dias antes da prova baiana da Stock Car, os cartolas do automobilismo surgem com discursos sobre os seus planos “mirabolantes”. Depois, aproveitam os holofotos com os copos cheios e, em seguida, esquecem temporariamente seus ideais. Estes sim são líderes ao velho estilo chavista ou esquerdista da ilha de Cuba e saem ganhando com a prova de rua da Stock Car na Bahia.

Carro tem que ser fabricado no Brasil

Publicado: 7 de março de 2012 em Automotivo, Opinião

Imagem

 

Imagine comprar um carro vindo do México com um belo pacote de equipamentos de série pelo preço de um veículo sem nenhum tipo de “mimo” só porque ele é produzido no Brasil. É o que está ocorrendo quando o brasileiro escolhe um Nissan March, por exemplo, em detrimento de um Volkswagen Gol.

Mas, o que está por trás de uma situação tão exdrúxula como a que a indústria brasileira está passando atualmente?

O Brasil hoje é uma potência da indústria automotiva mundial. Em 2011, ficamos atrás apenas da China, Estados Unidos e do Japão na venda de carros. Levantamento feito pela filial brasileira da consultoria Jato Dynamics aponta que houve um crescimento de 2,9% nas vendas de carros novos em relação a 2010. A China lidera a lista, com mais de 14 milhões de veículos comercializados e com alta de 7%. Na sequência, estão os Estados Unidos, que conseguiram o volume de vendas em 10,3%, e o Japão, que teve uma redução de 15,2% das suas vendas em decorrência do tsunami no país.

Mas, o Brasil cresce e, infelizmente, ainda são poucas as fabricantes que possuem plantas de produção de veículos no País. Mas, isso vai mudar. Porém, só a partir do segundo semestre deste ano, com a inauguração das fábricas da Toyota e da Hyundai, no interior de São Paulo. Entre 2013 e 2016, outras montadoras de veículos irão se instalar, ampliar suas fábricas ou investir em novas plantas de produção de veículos.

O mercado crescente tem gerado um interesse enorme da indústria automotiva. Nos últimos seis meses, o governo brasileiro decidiu endurecer as normas, especialmente contra as marcas de carros importados e em favor da indústria nacional. Agora, quem deseja “sua fatia” no já promissor mercado brasileiro terá que produzir por aqui ou “nacionalizar” em 65% os veículos vendidos no Brasil.

Nas últimas negociações para rever o acordo comercial entre México e Brasil – que oferece imposto zero na alíquota de importação de veículos vindos de lá para cá -, não houve quase nenhum avanço. No noticiário da grande imprensa, o governo do presidente Felipe Calderón anunciou que requer 30% de conteúdo mexicano nos veículos produzidos em seu país. Já os representantes de Dilma seguram o argumento de aumentar em 30 pontos porcentuais o IPI de automóveis que não detenham 65% de conteúdo nacional ou regional. 

Ou seja, o Nissan March, que já caiu no gosto do brasileiro e elevou as vendas da montadora japonesa que produz seus carros no México, pode sofrer um aumento bem significativo no seu preço competitivo.

Concordo com o governo brasileiro em estimular a produção de carros no País. Não é à toa que marcas como a Nissan, Toyota, Hyundai e chinesas como a JAC Motors, que vai se instalar em Camaçari ao lado da Ford, estão correndo contra o tempo para iniciar logo a produção de seus carros aqui no Brasil. De multinacionais, elas querem produzir carros para o consumidor brasileiro, que tem ficado cada vez mais exigente na hora de escolher o seu veículo.

 

 

A indústria automotiva brasileira sempre ganhou benefícios do governo. Na crise de 2009, alguns modelos de carros foram vendidos sem o IPI embutido no valor final. Com isso, não houve retração de vendas e o que ocorreu foi um recorde de produção e comercialização de carros zero km no País.

Mas, há também o outro lado da moeda. Na quinta-feira, 15/09, o governo brasileiro anunciou uma medida de majoração do IPI para carros importados. Na prática, segundo os dados do governo, a conta é a seguinte: carros com motor 1.0 passam de 7% para 37%. Os veículos com motores entre 1.0 e 2.0 passam de 11% e 13% para 41% a 43%, respectivamente.

Por enquanto, só houve corre-corre de consumidores que planejavam comprar um carro importado. O preço, ainda, é o mesmo. Mas, já há ganhadores e perdedores no confuso jogo do livre mercado. No caso, as marcas chinesas foram as mais prejudicadas. Ai, quem saiu ganhando foram as fabricantes tradicionais no Brasil. Ninguém duvida que houve um looby fortíssimo para dar um basta ao crescimento avassalador das marcas chinesas, especialmente a JAC Motors – que lançou três modelos com preços competivos e com equipamentos nunca antes vistos na lista de série dos veículos produzidos no Brasil.

A lição ainda está só no começo, e pelo visto muita “água vai rolar no rio” da indústria automotiva brasileira. O aumento do IPI ocorreu justamente em um momento onde há uma divisão entre as novidades das marcas chinesas e a possível perda de mercado dos carros feitos no Brasil.

A medida do governo brasileiro, por sua vez, é para regular o mercado e impor algumas regras em favor da produção nacional. Assim, os veículos devem se encaixar nas novas normas: investimento local em tecnologia; 65% de componentes feitos no Mercosul; e cumprir seis de 11 etapas de produção de veículos no Brasil, entre as quais, estampagem, pintura, fabricação de conjunto motriz (motor e câmbio).

É a lei de quem pode mais. Assim, o maior perdedor está sendo o consumidor. Ao invés do governo se preocupar com o que é ofertado para o consumidor, lança mão de uma medida que tem uma preocupação mais econômica. É certo que a indústria nacional deve realmente ser protegida. Mas, o governo deve exigir também produtos mais acabados e tecnologia mais moderna nos carros nacionais.

Aqui, equipamentos como os desejados freios ABS e airbag em veículos só serão obrigatórios de série em 2014. Os carros chinesas, por exemplo, já oferecem estes dispositivos de segurança como item de série, e os modelos são bem mais baratos ao serem comparados com veículos nacionais. No frigir dos ovos, o brasileiro saiu extremamente prejudicado com a medida contra os carros importados implementada pelo governo Dilma. Um tiro no pé…no pé dos consumidores!